Grajaú, MA — Nesta segunda-feira, 10 de agosto, completam-se 25 anos da morte do Venerável Frei Alberto Beretta, o frade capuchinho italiano que se tornou médico e “pai” de gerações de grajauenses. Para marcar a data, a Visual TV divulga o documentário completo “Frei Alberto Beretta: Vida e Obra”, produzido pela Prefeitura Municipal de Grajaú através da Lei Paulo Gustavo, além de uma série de recortes especiais publicados ao longo desta semana no Instagram e YouTube.
Quem foi Frei Alberto Beretta
Henrique Beretta nasceu em Milão, na Itália, em 28 de agosto de 1916, o sétimo de treze filhos de uma família de franciscanos seculares. Formou-se em Medicina em 1942 e, mais tarde, foi ordenado padre em 13 de março de 1948 — tornando-se, pouco depois, o primeiro padre da recém-criada Diocese de Grajaú. Sua irmã, Giana Beretta, também médica, viria a ser canonizada santa pela Igreja Católica após sacrificar a própria vida para salvar a filha durante o parto.
A chegada a Grajaú e o Hospital São Francisco de Assis
Atendendo a um convite do então bispo de Grajaú, Dom Emiliano Lonati, Henrique deixou a Itália rumo ao interior do Maranhão. Pisou em solo grajauense pela primeira vez em 2 de agosto de 1949, recebido com festa popular e os sinos da igreja tocando. Ainda assim, enfrentou um obstáculo burocrático sério: seu diploma de medicina não era reconhecido no Brasil, o que o obrigou a passar três anos em Porto Alegre refazendo provas e revalidando seus estudos.
De volta a Grajaú, e com apoio do irmão engenheiro, padre José Beretta, e de diversos benfeitores, iniciou a construção do Hospital São Francisco de Assis — o primeiro hospital do centro-sul maranhense, inaugurado em 1952. Ali ele trabalharia por trinta anos, atendendo pacientes de Grajaú e de municípios vizinhos como Imperatriz e Barra do Corda.
O médico que nunca dizia não
A dedicação de Frei Alberto ultrapassava os limites do hospital. A cavalo ou de jipão, enfrentando estradas precárias, sol e chuva, ele percorria a vasta zona rural de Grajaú para realizar a chamada “desobriga”: celebrava missas, batizava crianças e consultava doentes em viagens que podiam durar dias. Foi também encarregado pelo governo de atender os povos indígenas da região e cuidou pessoalmente dos pacientes isolados na Vila San Marino, área destinada a quem enfrentava a hanseníase.
Ele nunca cobrou pelos atendimentos. Quem o conheceu resume: “ninguém via Frei Alberto dizer não”.
A despedida
No Natal de 1981, um derrame cerebral afastou repentinamente Frei Alberto de Grajaú. Em 1982, ele precisou retornar definitivamente à Itália para tratamento. Viveu ainda vinte anos, sempre em contato com o povo grajauense através de cartas, expressando o desejo de voltar. Morreu em Bergamo, na Itália, em 10 de agosto de 2001. Em Grajaú, a notícia chegou pelos mesmos sinos da Catedral que, décadas antes, haviam anunciado sua chegada em festa.
O legado e o caminho para a santidade
A Igreja Católica já reconheceu oficialmente as virtudes heroicas de Frei Alberto Beretta, concedendo-lhe o título de Venerável — uma das etapas do processo de beatificação. Em Grajaú, porém, a população não esperou por decretos: há décadas ele é chamado, com carinho e convicção, de “o santo de Grajaú”.
Vinte e cinco anos depois de sua morte, o legado de Frei Alberto segue vivo no hospital que ele construiu, na fé que ele espalhou e na memória de quem foi atendido, batizado ou simplesmente acolhido por ele.
Assista ao documentário completo
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O documentário “Frei Alberto Beretta: Vida e Obra” está disponível na íntegra no canal da Visual TV no YouTube, com estreia às 19h desta segunda-feira, 10 de agosto. Uma série de recortes especiais também está sendo publicada diariamente às 19h no Instagram e YouTube Shorts da Visual TV ao longo desta semana.
Ficha técnica do documentário
Roteiro e Direção: Ana Carolina S. Chaves
Imagens: Fagner Santos, Karmilsom Guimarães, Rodrigo Alef
Imagens Aéreas: Pedrones
Arquivo: Diocese de Grajaú
Locução: Márcio Henrique
Ator: Filipe Moura
Edição e Arte: Eliomar Júnior
Apoio: Leopoldo Viana
Trilha Sonora: “Mearim Grajaú” – Luís Carlos Pinheiro / “Frei Alberto Amigo dos Pobres” – Idelfonso Vieira Júnior
Realização: Prefeitura Municipal de Grajaú — Lei Paulo Gustavo | Ministério da Cultura | Governo Federal do Brasil | Governo do Maranhão